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Desenvolvimento do sistema mais sofisticado do mundo para o mapeamento de espécies ameaçadas Uma entrevista com Steven Phillips da AT&T Laboratórios Jeremy Hance, pt.mongabay.com Traduzido por Thomaz W. Mendoza-Harrell 12 de Agosto, 2008
Os resultados do mapa foram surpreendentes, mostrando bolsas de área em Madagascar que merecem proteção, mas foram negligenciadas até o presente assim como áreas maiores e melhor conhecidas. Trabalhando estreitamente com cientistas conservacionistas, e ainda nos ajustes finais do seu programa — Phillips desenvolveu um software que já se tornou uma ferramenta indispensável para salvar a vida selvagem em Madagascar - e ao redor do mundo. Abaixo ele conta para mongabay.com como ele fez. Mongabay: Como você se envolveu no desenvolvimento do software para o mapa de biodiversidade de Madagascar?
Mongabay: Como você deu o salto tecnológico de trabalhar com redes de telecomunicação para criar software de mapeamento de regiões e de vida selvagem de num país do tamanho de Madagascar? Steven Phillips: Como pesquisador na AT&T tenho o luxo de poder definir a minha própria agenda de pesquisa. Geralmente trabalho com algoritmos e otimização - procurando formas eficazes de resolver grandes problemas tais como desenhar e administrar redes de comunicação em escala continental. Mas ficou evidente para mim que para desenvolver uma nova abordagem para a modelagem de distribuição de espécies implicava em pesquisa de aprendizado de maquinas e eu não havia trabalhado nessa área antes. Ai fui até o escritório de Rob Schapire um dos pesquisadores estrela no grupo de aprendizado de maquinas da AT&T na época. Eu descrevi a tarefa de modelagem para ele e sem hesitar ele me sugeriu uma abordagem de "entropia máxima". Temos trabalhado juntos em Maxent desde então, junto com Miro Dudik, que foi o primeiro aluno de Ph.D. dele depois que Rob passou para o Departamento de Ciências da Computação em Princeton. Aprendi bastante sobre aprendizado de maquinas e um pouco sobre ecologia também. Mongabay: Quanto tempo levou para desenvolver o software? Steven Phillips: A primeira versão do software ficou pronta em menos de dois meses, mas já estamos trabalhando nele ha mais de seis anos adicionando novas funções e fazendo refinamentos. Dados de biodiversidade são um grande desafio - as espécies mais importantes são quase sempre as mais difíceis de localizar e isso oferece muitos poucos dados para os modelos e os dados têm discrepâncias geográficas fortes de coleta que refletem a dificuldade em se alcançar e trabalhar em determinadas áreas onde vivem essas espécies. Isto torna a tarefa de fazer um modelo viável um grande desafio e isso já nos levou a uma série de interessantes questões teóricas sobre o aprendizado de maquinas. Já fizemos talvez uma dúzia de edições de software com as novas funções vindas de nossa pesquisa teórica e pedidos de ecologistas que utilizam o software. Mongabay: Você pode nos explicar como funciona o software?
Mongabay: Você acredita que este software pode ser utilizado para esforços de conservação em outros lugares do mundo? Steven Phillips: Sim, já esta sendo usado pelo mundo todo. Está disponível na Web para uso por entidades sem fins lucrativos e já teve milhares de downloads em mais de 60 países. Mongabay: Você planeja continuar trabalhando neste software? Quais são algumas das mudanças que você gostaria de ver no futuro? Steven Phillips: Estamos nos preparando para lançar uma nova versão do software, mas as novas funções são muito pequenas no momento. Um tópico que me interessa muito é a mudança climática, que irá imprimir grandes deslocamentos de distribuição. Precisamos proteger as espécies não somente onde se encontram hoje, mas onde estarão daqui a 50 ou 100 anos e precisamos facilitar os seus movimentos se essas áreas não se sobrepuserem. Se encontrarmos alguma forma geral de melhorar a precisão das distribuições no futuro eu certamente gostaria muito de incorporá-las no Maxent. Mongabay: Quais outros projetos estão sendo desenvolvidos por pesquisadores da AT&T?
Mongabay: Você já possuía algum interesse em Madagascar ou em vida selvagem antes de trabalhar neste projeto? Steven Phillips: Definitivamente, eu tenho fortes convicções sobre a conservação da vida selvagem porque a nossa geração tem uma grande responsabilidade — um quarto de todas as espécies do mundo podem ser levadas à extinção durante nossa vida e nos não podemos simplesmente ficar como espectadores, Madagascar é particularmente interessante por dois motivos um porque é indiscutivelmente um dos pontos quentes do mundo (lugares do mundo com uma alta concentração de espécies raras e ameaçadas) e porque existe vontade política para proteger a biodiversidade de Madagascar; o presidente Ravalomanana se comprometeu a proteger 10% da área terrestre dentro dos parques nacionais, bem mais do que os 2,8% de 2003. Mongabay: Você já teve a oportunidade de visitar Madagascar? Se a resposta é não o que você mais gostaria de ver?
Mongabay: O projeto de mapeamento de Madagascar foi uma das matérias de maior repercussão na revista Ciência e um vídeo sobre o seu trabalho da AT&T já entrou no YouTube—você esperava tal resposta para o seu trabalho? Steven Phillips: Não eu não esperava de forma alguma! Estou muito feliz com a resposta principalmente pelo alto perfil dado pela revista Ciência (Science Magazine), e pelo apoio entusiasmado que a AT&T deu e está ainda dando a minha pesquisa de conservação. |
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