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Metade da floresta amazónica estárá perdida dentro de 20 anos Rhett Butler, mongabay.com 14/03/2008
Mais da metade da floresta amazônica estará danificada ou destruída dentro de 20 anos, se o desmatamento, os incêndios florestais, e as tendências climáticas continuam na velocidade atual, adverte um estudo publicado na revista Eventos Filosóficos da Sociedade Real B.
Ao mesmo tempo que a procura global de consumíveis agrícolas produzidos na Amazônia está crescendo, a região é cada vez mais afetada pela seca (relacionada com as alterações climáticas), pela fragmentação (vinculada ao desenvolvimento) e dos incêndios florestais (consequência das alterações climáticas e do desenvolvimento). Todos estes itens interagem uns com os outros para criar efeitos de retorno incrementador. "Retornos incrementadores das secas, incêndios florestais e atividades
económicas tem o potencial de degradar vastas áreas de floresta
amazônica durante os próximos anos", escrevem os autores.
"Atividades de uso da terra na Amazônia contribuem para susceptibilidade
a incêndios florestais, fornecendo fontes de ignição, fragmentando
a floresta e desbastando a floresta através da exploração
madeireira." Um aumento da
frequência de secas como resultado de temperaturas
mais elevadas no Atlantico tropical, também tem um efeito sobre a
vulnerabilidade
da Amazônia ao fogo. Modelos climáticos sugerem que, com as
temperaturas continuando a subir, a incidência e gravidade das secas no
leste e sul da Amazônia também aumentarão. Estas regiões
são as áreas que estão recebem mais pressão do desenvolvimento.
Além disso, algumas pesquisas concluem que o desmatamento em si - através
da perda de transpiração - pode provocar uma diminuição
da precipitação.
"Os sistemas económicos, ecológicos e climáticos da Amazônia podem estar interagindo para mover as florestas da região num prazocurto a uma situação sem retorno", eles escrevem. "Neste cenário, o crescimento da rentabilidade de desmatamento, consequência da agricultura e pecuária, proporciona uma expansão da fronteira da fragmentação florestal e de fontes de ignição, que inibe chuvas como as florestas são substituídas por campos e pastagens e como os incêndios preenchem a atmosfera no final da seca com aerossóis." "Florestas danificadas pela seca, a exploração madeireira, a fragmentação e incêndios anteriores, queimam repetidamente devido á substituíção gradual das espécies arbóreas de copas altas por capoeira, gramíneas e outras plantas de alta biomassa. Estes processos locais e regionais são agravadas quando anomalias da superfície do mar e eventos meteorológicos extremos causam períodos severos de secas e a queima de vastas paisagens florestais. Aquecimento global reforça estas tendências pela elevação das temperaturas do ar, aumentando a gravidade das épocas de seca e aumentando a frequência dos eventos meteorológicos extremos." Baseado nestas tendências, Nepstad e colegas tem a previsão que 31% da floresta amazônica serão desmatados e 24% serão prejudicados pela seca ou extração madeireira até ao ano 2030. Eles dizem que a redução de chuva em 10% danificará pela seca um adicional de 4% das florestas. O impacto desse tipo de degradação e desmatamento resultará em emissões de 15-26 Pg (petagramas=bilhões de toneladas) de carbono em menos de três décadas ", sem contar com a influência do aquecimento global." Preocupantemente, os autores consideram esse cenário como conservador - perdas florestais e emissões poderão ser muito pior.
Nepstad e colegas afirmam que a intensificação da pecuária
- aumentando o número de cabeças por hectare por um fator de 8
em algumas áreas - significa redução da necessidade de
desmatar florestas para pastagem. Finalmente os autores são otimistas
que áreas de proteção recentemente criadas podem servir
como uma antepara contra o desmatamento em regiões particularmente vulneráveis.
Dizem que compensação de carbono sob o mecanismo
de REDD acordado em princípio
em Dezembro na conferência sobre clima da ONU em Bali, na Indonésia,
podem ajudar de
financiar esforços de conservação da floresta bem como
trazer benefícios para populações rurais e grupos indígenas. |
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