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Quem paga pela conservação da floresta amazônica? Uma
entrevista com o maior patrocinador privado de proteção de florestas
tropicais: a Fundação Gordon e Betty Moore Na segundafeira, 4 de dezembro 2006, o Brasil criou a maior área protegida de floresta tropical no mundo no norte da Amazônia. Abrangendo mais de 15 milhões de hectares (57.915 milhas quadradas) - ou uma área maior do que a Inglaterra - a notícia da rede de sete novas reservas protegidas foi recebida com louvor por grupos ambientais. Quem ajudou no desenvolvimento desse projeto de conservação foi uma organização que a maioria das pessoas não associaria com a conservação de florestas, mas certamente deveria: a Fundação Gordon e Betty Moore.
A Fundação diz que seu principal objetivo é conseguir "uma gestão eficaz dos 370 milhões de hectares de paisagens florestais", que são necessários para manter a função climatológica da bacia Amazônica e proteger a biodiversidade da região, distribuída por todas as oito principais eco-regiões e 13 grandes bacias hidrográficas. Tudo isso com a finalidade de preservar a viabilidade ecológica região a longo prazo. Os 370 milhões de hectares representam 45% dos 815 milhões de hectares de florestas tropicais da região e são considerados um limite, abaixo do qual o ecossistema da floresta Amazônica pode mudar para uma paisagem radicalmente diferente dominada por savanas secas. A mudança teria um impacto dramático na vida vegetal e animal da região. Para evitar esta situação, a Fundação está financiando projetos no Brasil, Bolívia, Peru, Equador, Venezuela e Suriname. O enfoque está mais na pesquisa do que na aquisição de terras - uma questão particularmente controversa na Amazônia onde tais "agarra-terras" são muitas vezes vistos como uma ameaça à soberania nacional - a maioria dos fundos vão para grupos de conservação e cientistas que trabalham na área. Grande parte da pesquisa da Amazônia nos últimos anos que gerou manchetes nos jornais e revistas-- desde as projeções de clima para a Amazônia até a importância das populações indígenas para reduzir desmatamento em áreas protegidas - foi financiado até um certo grão pela Fundação Moore. Conservação International, uma organização inovadora que combinou pesquisa biológica pioneira com uma estratégia corporativa de localizar alvos críticos de conservação, foi o principal beneficiário dos fundos, embora World Wildlife Fund, o Field Museum, a Wildlife Conservation Society, a Amazon Conservation Association, Woods Hole Research Center, Instituto Internacional de Educação do Brasil, Instituto Socio Ambiental, e da Amazon Conservation Team também receberam grandes contribuições desde 2001. O processo de alocação de fundos para conservação da floresta A Fundação não aceita propostas não solicitadas. Em vez disso, confia numa equipe de pesquisadores e uma rede de contatos científicos para identificar potenciais beneficiários que podem incluir organizações não governamentais (ONG´s), institutos de pesquisa e universidades. Como um bom planejador financeiro, a Fundação utiliza uma "estratégia de carteira", para decidir a forma de distribuir fundos e frequentemente emite subvenções em uma série "para aumentar a eficácia da iniciativa inteira, [e reduzir] o risco de falha de qualquer subvenção". Embora tenha havido alguns fracassos nos primeiros cinco anos da iniciativa, a fundação enfrenta alguns obstáculos, nomeadamente de interesses de desenvolvimento, que estão vendo conservação inerentemente como oposição ao desenvolvimento económico, e alguns ambientalistas que acham que mais dinheiro deveria ser usado para criação de parques em vez de financiamento para ciência. Mas, como maior e mais influente promotor de conservação na maior floresta tropical do mundo, alguma crítica era de se esperar. Em dezembro de 2006 o Dr. Rosa Lemos de Sá, líder da iniciativa Andina-Amazônica da Fundação Gordon e Betty Moore's, respondeu algumas perguntas de mongabay.com sobre os esforços da fundação. Entrevista com Rosa Lemos de Sá, responsável pela Iniciativa
Andes-Amazônia da Fundação Gordon e Betty Moore
Mongabay: Como a iniciativa Andes-Amazônia da Fundação Gordon e Betty Moore não aceita propostas não solicitadas, como o Senhor fica consciente de novos projetos? O Senhor tem uma rede de contatos e organizações ou seu pessoal fica atento às últimas pesquisas que aparecem em revistas científicas ou em conferências? Lemos de Sa: O pessoal da iniciativa Andes-Amazônia está muito bem informada sobre a situação na bacia, não só porque uma boa parte do pessoal é proveniente da região (temos pessoal do Brasil, Peru, Colômbia e Venezuela) e têm contatos pessoais e experiência, mas também porque viaja frequentemente para os lugares e estão expostos às realidades de cada região. A rede de beneficiários e organizações parceiras é outra fonte de informação, assim como a pesquisa e as notícias da região. Mongabay: Subvenções são dadas unicamente a organizações ou também para pesquisa por cientistas individuais? Lemos de Sa: As subvenções são dadas às instituições - ONGs, instituições de pesquisa, universidades - alguns programas geridos por estas organizações financiam bolsas de estudo e pesquisas individuais. Portanto, a Fundação financia indivíduos apenas indiretamente. Mongabay: A Fundação Moore está financiando
alguma pesquisa referente à "terra preta", o processo de formação
de solo, que melhora a produção vegetal na Amazônia, ao
mesmo tempo que absorve carbono? A terra preta é criada através
de uma técnica pioneira de agricultura das populações pre-Colombianas
e parece estar ganhando muito interesse nos meios acadêmicos, mas não
tenho visto muitos indícios de que a técnica está sendo
amplamente aplicada. Tive vários consultas sobre "terra preta"
nos últimos meses.
Mongabay: Quais novas iniciativas estão sob consideração?
Mongabay: Como você mede o sucesso de um projeto?
Mongabay: Intel recentemente apresentava uma cidade no coração
da Amazônia capaz de Internet sem fio. A fundação foi envolvida
no esforço? A Intel Corporation participa nos esforços de conservação
da fundação? Mongabay: Quais são os maiores obstáculos para o trabalho
da fundação?
Rosa Lemos da Sá é atualmente o responsável pela Iniciativa
Andes-Amazônia. Anteriormente, ela serviu como Director de conservação
do World Wildlife Fund - Brasil. Lemos da Sá detém um PhD em Wildlife
Conservation da University of Florida, Gainesville, um Master of Science (MS)
em ecologia da Universidade de Brasília, DF, Brasil, e um Bacharelado
em Ciências (BS), em Wildlife Management, da Universidade De Wisconsin-Stevens
Point, WI. Recomenda este artigo? Commentários? Digg this article | Hugg this article | Contact Novas opções |
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