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Garimpos na Amazônia venezuelana ameaçam a biodiversidade e grupos
indígenas Rhett Butler, mongabay.com 29/2/2008
Problemas estão acumulando numa das mais belas paisagens da terra. No
fundo da Amazônia venezuelana, entre montanhas tipo topo de mesa com florestas
antigas conhecidas como tepuis, rios cristalinos, cachoeiras deslumbrantes,
garimpeiros de ouro ilegais estão ameaçando um dos maiores blocos
restantes de natureza intata do mundo, que é o lar de povos indígenas
e de níveis extremamente altos de diversidade biológica. Como
a situação está piorando - uma série de ataques
têm feito vítimas em ambos os lados, garimpeiros e povos indígenas
- uma organização científica de liderança tem chamado
o governo venezuelano para tomar as devidas providências. Um problema Dourado Um acidente de geografia pôs essa biodiversidade e as populações indígenas em risco. O escudo da Guiana é incrivelmente velho, com rochas expostas da época precambriana, cerca de 600 milhões de anos atrás. Essa geologia, como a de partes da África Ocidental, Austrália Ocidental, e os escudos brasileiros, produz ricas jazidas de ouro, diamantes, ferro e bauxita. Enquanto as primeiras tenham sido exploradas a muito tempo, a última região tem sofrido, desde o início dos anos 90, uma corrida comparável às de ouro do século 19, nos Estados Unidos, Austrália, Canadá, Nova Zelândia e África do Sul. Grande parte desta corrida ocorreu no estado brasileiro de Roraima, mas, nos últimos anos, garimpeiros informais passaram todas as fronteiras, apenas ligeiramente patrulhadas, para os países vizinhos do norte da América do Sul.
Dr. David Hammond, o responsável pela NWFS Consultoria, está estudando as consequências ambientais e socioeconômicas da utilização de terras na região há mais de 15 anos. Ele diz que a mudança é motivada por duas mudanças significativas, uma é a repressão da mineração ilegal no Brasil e a outra é um surto global de preços de ouro. "Duas coisas importantes aconteceram, uma no Brasil e outra na cena mundial, que mudaram a dinâmica regional de ouro", explicou Hammond. "Com a eleição de Lula da Silva, um declínio notório da mineração em garimpos, ou artesanal, tem ocorrido com o aumento do controle da integridade de reservas de índios e execução das leis nacionais de uso da terra. Consequentemente, esses garimpeiros agora se mudaram através da fronteira do norte do Brasil, extremamente porosa e praticamente sem controles, para Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana francesa." "Ao mesmo tempo, o preço internacional do ouro está aumentoando
continuadamente. Isto torna a mineração de ouro, de depósitos
de baixa concentração, económica. A região possui
recursos significativos de ouro, mas a maioria dos depósitos inexplorados
é de baixa conbcentração. Os acontecimentos na Bacia hidrográfica
do Caura é o exemplo mais recente de uma dinâmica em curso na maior
parte das áreas florestais no nordeste da América do Sul",
disse Hammond. Preocupações ambientais
Apesar do fato que na Venezuela e Suriname grande parte da área está protegida nominalmente no papel, na realidade os parques nacionais estão se tornando salpicados com colonias ilegais, pistas clandestinas de pouso, de vez em quando utilizadas pelo tráfico de drogas e outros contrabandos, e garimpos de pequena escala. Nas proximidades do rio Caroni e em outras áreas, este setor de mineiração informal tem um impacto significativo para o meio ambiente. Isso provavelmente deve se repetir na bacia do rio Caura que em Setembro foi invadida por mais de 600 garimpeiros. Miners rely heavily on hydraulic mining techniques, blasting away at river
banks with high-powered water cannons and clearing forests to expose potential
gold-yielding gravel deposits. Gold is usually extracted from this gravel using
a sluice box to separate heavier sediment and mercury used to amalgamate the
precious metal. While most of the mercury is removed for reuse or burned off,
some invariably ends up in rivers.
Hammond diz que a bioacumulação de mercúrio no peixe representa ameaças à saúde das pessoas que vivem rio abaixo. "Peixes representam a maior parte da proteína na dieta dos moradores locais, criando uma acumulação bem documentada, especialmente nas crianças", disse "Os impactos do mercúrio em seres humanos são bem conhecidos". Acumulação de mercúrio em seres humanos foi vinculado a lesões neurológicas e malformações de crianças no parto. "Além disso", acrescentou Hammond ", sitios de mineração mal geridos criam condições ideais para procriação de mosquitos, tornando acampamentos de garimpeiros o lugar principal de transmissão de doenças suportadas por vetores. Estas doenças [malária, dengue] são, em seguida, espalhadas ainda não tratadas quando os garimpeiros retornam a suas comunidades e famílias." Hammond diz que estes efeitos são de longa duração. "Para deixar isso bem claro: até hoje existem lagos nas montanhas da Sierra Nevada na Califórnia que permanecem proibudos para pesca e natação devido ao uso descontrolado de mercúrio durante a corrida de ouro na Califórnia mais de 120 anos atrás. Esses lugares continuam com bioacumulação tóxica de mercúrio, e acordo com estudos realizados pelo Geological Survey dos Estados Unidos (USGS)."
Os garimpos podem também trazer outras formas de destruição.
Sedimentos dissolvidos e agitados por atividades garimpeiras causam efeitos
perniciosos sobre flora e fauna aquática, enquanto interferindo com navegação
fluvial e representando riscos para operações hidrelétricas,
como a barragem de Guri, a segunda maior represa hidrelétrica do mundo,
situada na Bacia hidrográfica do rio Caroni. Em terra, a recuperação
da floresta após o desmatamento pode ser impedida pelo solo danificado
e áreas florestadas anteriormente podem ser transformadas em cerrado
- propenso ao fogo quando árvores falham de se recolonizar uma vez gramíneas
duras tomam conta do terreno. Jaqueline Farías, Ministra do Meio Ambiente
da Venezuela, disse no mês passado que vai demorar 300 anos para reflorestar
as áreas desmatadas na região e 70 anos para descontaminar áreas
poluídas pelos garimpeiros. Cada vez mais sangrento Além do impacto ambiental, os garimpos estão provocando uma agitação social na Bacia do rio Caura. Nos últimos meses centenas de garimpeiros dos estados brasileiros Pará, Amapá e Mato Grosso, mas também da Venezuela, Guiana e Colômbia entraram nas florestas venezuelanas - esta situação é repetida no sul da Guiana, Suriname ocidental, e Guiana Francesa (onde garimpeiros estão implicados no assassínio de dois guias de ecoturismo na Reserva Natural de Nouragues). Após dos garimpeiros ter lançados uma campanha de intimidação contra grupos indígenas, que envolveu incêndio premeditado, ameaças de morte, e destruição de aldeias, o governo venezuelano enviou militares. Mal supervisionados, soldados atiraram e mataram seis garimpeiros e possivelmente participaram no afogamento de quatro outros. Enquanto todos estes soldados foram detidos, esta calamidade foi um retrocesso para os esforços de despejo. Os garimpeiros simplesmente mudaram-se para a cidade aguardando a saída das tropas, esperada para acompanhar as eleições nacionais em 3 de Dezembro. "Embora nos apoiamos as ações do governo com o exército
para expulsar garimpeiros da bacia hidrográfica do rio Caura, não
apoiamos o assassinato de garimpeiros como ocorreu na bacia hidrográfica
do rio Paragua", disse o Dr. Judith Rosales, uma bióloga da Universidade
Nacional Experimental de Guayana. "Evidentemente os soldados ficaram fora
de controle e agora eles estão sob custódia. Mesmo assim não
podemos deixar este acontecimento nos distrair da mineração ilegal
em áreas protegidas e de ataques a aldeias indígenas e ambientalistas." Organização científica exige uma ação Considerando estes últimos desenvolvimentos, a Associação de Biologia Tropical e Conservação (ATBC), a maior organização científica do mundo dedicada ao estudo e à proteção dos ecossistemas tropicais, com membros em mais de 70 países, aprovou uma resolução apelando ao governo da Venezuela a tomar medidas contra mineração ilegal na Bacia do rio Caura. ATBC espera que, destacando incursões ilegais na Venezuela, pode trazer a atenção para desenvolvimentos semelhantes em toda a região do escudo da Guiana.
A resolução da ATBC insiste que o governo venezuelano aplique as leis atuais que o obrigam a proteger os ecossistemas florestais e a biodiversidade, bem como defender os direitos dos grupos indígenas atualmente ameaçados por garimpeiros. "Noventa e cinco por cento do território da bacia do rio Caura é classificado em diferentes categorias do ABRAE [um sistema de áreas protegidas na Venezuela], incluindo a Reserva Florestal e de uma quantidade grande de estrita conservação", disse Rosales. "Em conformidade com a lei venezuelana, o governo é obrigado a proteger essas áreas de terras e envolver comunidades indígenas e locais na gestão da biodiversidade e do uso sustentável da floresta. As recentes invasões de garimpeiros de ouro na bacia hidrográfica do rio Caura estão diretamente violando o direito venezuelano". Além disso, em consonância com estas disposições, a resolução ATBC pede ao governo para promover o desenvolvimento sustentável na região com projetos de fornecer oportunidades de emprego para a população local, sem danificar o meio ambiente. - O governo, rico de petróleo, já patrocinou projetos semelhantes de bem-estar social em outras partes do país. A resolução apela também para um controle e regulamento mais rigoroso na bacia, talvez envolvendo as populações indígenas locais no esforço. Reservas indígenas como Tumucumaque no Suriname se mostraram de ser melhor do que reservas florestais vizinhos. A presença de índios territoriais armados com rifles e setas venenosas é acreditada de ser um fator limitante para incursões de garimpeiros.
"Ouro Ilegal é uma ameaça muito insidiosa para florestas tropicais e os seus povos", disse o presidente ATBC William F. Laurance. "É uma tragédia de ver uma das últimas jóias intocadas dos neotrópicos ser submetido a este perigo crescente." |
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©2007 Rhett Butler |