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Transtorno da floresta reduz a biodiversidade na floresta Amazônica.
Floresta tropical primária mais rica em espécies do que plantações, florestas secundárias
Rhett A. Butler, mongabay.com
2/1/2008



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Dois novos estudos da floresta Amazônica demonstram que as florestas plantadas e as florestas de crescimento secundário têm menores contagens de espécies de borboletas, répteis e anfíbios que as áreas de floresta primária adjacentes. A pesquisa tem implicações importantes para a conservação da biodiversidade tropical, em um mundo onde floresta virgem é cada vez mais substituída por florestas secundárias, plantações industriais e paisagens agrícolas.

Ambos os estudos foram conduzidos no rio Jarí, região fronteiriça entre os estados do Pará e Amapá, uma área da Amazônia brasileira onde grandes áreas de floresta foram desmatadas e convertidas em plantações para produção de pasta de celulose na década de 1960. Hoje algumas dessas plantações foram abandonadas e se transformaram em seguida em florestas secundárias, enquanto outras plantações ainda estão ativas. Ao redor destas terras tem matas virgens. A matriz de tipos de florestas serve como uma área privilegiada para o estudo das diferenças de biodiversidade entre florestas virgens, florestas em regeneração e florestas plantadas.


Plantios são biologicamente empobrecidas de uma perspectiva da biodiversidade em relação às florestas virgens. Foto por Rhett A. Butler
Lagartos e sapos: mais diversificados na floresta virgem

O primeiro estudo, publicado em Conservation Biology por um time de pesquisadores liderado por Toby A. Gardner, da Universidade de East Ánglia, focalizou-se em répteis e anfíbios habitando no composto natural de folhas da floresta. Colecionando 1739 anfíbios do composto de folhas (23 espécies) e 1937 lagartos (30 espécies) durante um período de dois anos utilizando quatro métodos de amostragem, os pesquisadores descobriram que mata virgem acomodou significativamente mais espécies, mas uma quantidade semelhante de anfíbios e lagartos em comparação à áreas vizinhas de florestas em recuperação ou florestas plantadas."

Os pesquisadores dizem que florestas plantadas são dominadas por um amplo hábitat de espécies gerais, enquanto florestas secundárias contém uma série de espécies características do hábitat da floresta virgem.

Borboletas: Mais raras mas mais ricas em florestas primárias

O segundo estudo, publicado em The Journal of Applied Ecology e liderado por Jos Barlow, da Universidade de East Ánglia, focalizou as diferenças de biodiversidade de borboletas entre a floresta primária, florestas plantadas, e florestas secundárias em recuperação.


Foto por R. Butler
Registrando 10.587 borboletas e 128 espécies, em 3.200 dias de captura, os pesquisadores descobriram que a riqueza em espécies era mais elevada na floresta primária e mais baixa em floresta plantada, mas que em geral a quantidade de borboletas era maior nas áreas florestais não naturais. Os resultados indicam que espécies residentes em plantios são abundantes, mas comuns, enquanto as florestas secundárias foram às vezes mais ricas em biodiversidade de borboletas do que a floresta primária, dependendo da época.

"Floresta secundária exibiu maior riqueza do que a floresta primária no meio da época seca, mas não em outras épocas do ano", escreveram os autores. "Esta observação poderia explicar a falta de consenso em estudos anteriores, como aqueles que relataram maior riqueza em florestas secundárias porque só pegaram amostras durante a estação seca."

Resumindo, os resultados dos dois estudos sugerem que plantações e florestas naturais em regeneração em terras abandonadas não podem "oferecer refúgio para as muitas espécies que estão atualmente ameaçadas pelo desmatamento", escreveu Gardner e colegas. Os resultados são importantes considerando que mais de 15 milhões de hectares de floresta foram destruídos anualmente durante a década de 1990, enquanto florestas secundárias substituíram apenas um sexto de todas as florestas primárias desmatadas durante esse período. Entretanto, as plantações de floresta tropical expandiram quase cinco vezes desde 1980.

Os autores observaram que estas tendências, juntamente com a "insuficiência das redes globais de áreas protegidas, significam que o futuro de muitas espécies em florestas tropicais dependerá, em parte, da sua conservação em paisagens dominadas por humanos.

Via e - mail com mongabay.com, Gardner acrescenta, "Entender a amplitude em que a perda de floresta nativa significa perda de espécies antigas é um dos mais importantes desafios enfrentados pela ciência de conservação nos trópicos sitiados.” Ainda tem deploravelmente poucos dados disponíveis que possam fornecer respostas fortes a esta pergunta, porém sem essas informações ficaremos impossibilitados de traduzir as conseqüências de desmatamento em mudanças na biodiversidade".



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