|
|
|
|
Telefones celulares e mensagens de texto revolucionam as abordagens de conservação Entrevista com o especialista em TI para conservação, Ken Banks Rhett A. Butler, mongabay.com 2/1/2008
Ken Banks, presentemente professor visitante no Reuters Digital Vision Program na Universidade de Stanford, compreende bem isso. Banks estabeleceu o kiwanja.net como um concentrador para as últimas informações sobre como a tecnologia, em particular telefones móveis, podem ser aplicados para cuidar de questões de fortalecimento econômico, conservação, educação, direitos humanos e alívio da pobreza.
Em Abril de 2007 Banks falou ao mongabay.com sobre seu trabalho. Mongabay: Como você se envolveu com a aplicação da tecnologia móvel para a conservação e o desenvolvimento? Banks: Originalmente eu era da indústria de tecnologia da informação (TI) mas minha mãe e avós sempre foram entusiastas da natureza e do ambiente. Eu devo ter herdado o gene familiar para a natureza por que desde criança eu fui fascinado pela [vida] ao ar livre.
Mongabay: Aparentemente, sua primeira investida neste tipo de trabalho foi de um ângulo humanitário?
Mongabay: Quando saiu por si mesmo? Banks: Eu deixei meu emprego em Jersey em 1996 e fui para a Universidade de Sussex para buscar uma graduação em Antropologia Social com estudos de desenvolvimento. Vendi tudo que eu tinha até ali e deixei a Inglaterra com duas malas. Aquele foi o início da jornada. Eu formei o kiwanja.net em 2003 depois que retornei de um ano trabalhando com os primatas na Nigéria. Mongabay: O que o levou a fazer o kiwanja.net? Banks: O kiwanja.net ajuda organizações sem fins lucrativos locais, nacionais e internacionais a fazer melhor uso das tecnologias de informação e comunicação em seu trabalho. Embora o site seja mais um recurso de informação, eu geralmente funciono como um intermediário entre a tecnologia - especialmente a móvel - e grupos de conservacão ou desenvolvimento. Você verá organizações como a Gates Foundation olhando o uso da tecnologia em países em desenvolvimento. Eu ajudo a pô-los em contato com as pessoas na área bem como com algumas das tecnologias e aplicações em desenvolvimento. Parte do que faço, de certa forma, são "casamentos". Eu também tenho desenvolvido aplicações móveis para uso em conservação e desenvolvimento, como o FrontlineSMS. Mongabay: Que vantagens as tecnologias móveis oferecem aos grupos de conservação e desenvolvimento?
Em razão de sua abundante adoção, estamos hoje vendo fones móveis sendo usados para muitas aplicações de conservação e desenvolvimento. Muitos centros melhoram a comunicação entre patrocinadores e ONGs - por exemplo, enviando alertas sobre desastres naturais iminentes como tsunamis e furacões, ou alertas da vida selvagem, divulgando vagas de trabalho ou mensagens sanitárias. As vantagens das mensagens de texto é que são muito rápidas, geralmente baratas, e são diretas. A maioria das pessoas lê as mensagens que recebe, diferentemente de spam. Elas também funcionam em cada telefone independentemente do tamanho - uma questão crítica em áreas onde grande número de telefones pode ter de 5 a 7 anos de idade. Estes telefones são frequentemente inúteis para surfar na Internet, mas trabalham bem com SMS. Da mesma forma que para as aplicações de conservação, eu foco nas melhores capacidades de comunicação. Diferentemente do passado onde você tinha agências governamentais expulsando as pessoas de suas terras para criar áreas protegidas, hoje compreendemos que os esforços para conservação precisam envolver as pessoas locais, de outra forma você apenas os discrimina e os conduz a opor-se aos esforços de conservação. Agora, com o aparecimento da conservação baseada na comunidade e projetos integrados de conservação e desenvolvimento, a comunicação pode reduzir estas questões - fones móveis nos permitem abrir canais onde nunca foi possível. Por exemplo, no Kruger National Park (África do Sul), a administração do parque costumava ter que enviar um Land Rover até as 18 diferentes comunidades que vivem ao redor do parque para informá-las de reuniões, dar as últimas notícias, e assim por diante. Se uma reunião era cancelada ou alterada, a caminhoneta tinha que ir novamente. Podia levar dias para divulgar a mensagem. Hoje é possível simplesmente transmitir uma mensagem de texto. Podemos mesmo preparar um banco de dados que capture respostas de texto de várias comunidades em se poderão estar presentes ou como irão votar em uma iniciativa em particular. Esta funcionalidade libera uma grande quantidade de recursos para atividades mais significativas e produtivas da perspectiva de ambos, parque e comunidade. As organizações também estão descobrindo que telefones móveis podem servir como uma ferramenta de ativismo. Mensagens SMS podem ser usadas para organizar petições e planejar manifestações. De fato, a ferramenta é tão poderosa que é até preocupação para governos repressores. Nas eleições recentes no Cambodja e no Irã o governo desligou servidores de mensagens para prevenir a organização e campanha de manifestantes. Eles não queriam dar nenhuma chance depois do que aconteceu na Ucrânia, onde a revolução laranja não teria sido possível sem os serviços de mensagem de texto, e nas Filipinas, onde o presidente Estrada foi derrubado por assembléias organizadas por campanhas de mensagens de texto. No Zimbabwe jornalistas estão agora usando mensagens de texto para distribuir notícias desde o presidente Robert Mugabe proibiu email e transmissões de ondas curtas. Mongabay: Soa como se a maior parte das aplicações são abordagens "top-down". Há exemplos de conteúdo gerado pelo usuário?
De uma perspectiva conservacional, telefones móveis são cada vez mais usados para pesquisas e monitoramento. No Quênia, por exemplo, o Save the Elephants está utilizando colares GPS/GSM para rastrear elefantes. Comparado às alternativas, é mais barato, em "tempo real" e não depende dos satélites ARGOS que aumentam a complexidade e os custos. Estes dispositivos não somente ajudam a organização a entender como os elefantes usam seus ambientes, mas também fornecem aos fazendeiros e aldeões um sistema de aviso antecipado para que possam proteger plantações de serem comidas e pisoteadas. O conflito homem x elefante é ainda uma grande assunto em muitos países. Na África do Sul, um sistema sem fio de rastreamento de animais fornecido pela African Wildlife Tracking ajuda pesquisadores a rastrear a vida selvagem em áreas de caça. Uma vez equipado com o dispositivo de rastreamento, mensagens de texto são enviadas até o aparelho para isolar a latitude e longitude do animal. Repetindo, isso é muito mais simples e economicamente viável do que envolver satélites multi-milionários ou sistemas mais lentos de rastreamento VHF. Mongabay: Quais são os maiores desafios ao seu trabalho? Banks: O maior problema que vejo é que as pessoas são em geral relutantes para compartilhar. É difícil de encontrar exemplos de aplicações para telefones móveis em conservação e desta forma você vê muita duplicação e voltas no mesmo lugar. O telefone móvel está sendo alardeado como o dispositivo que será a ponto para a inclusão digital, e desta forma haveria mais colaboração entre organizações tentando endereçar estes assuntos importantes. Você sabe, quantos portais 'ICT for development' (desenvolvimento de tecnologia da informação e comunicações, NT) nós precisamos? Ao invés de sós, penso que o primeiro instinto das pessoas deveria ser colaborar onde possível. Mongabay: Então é aí que você vem com o kiwanja.net?
Mongabay: Como telefones móveis são usados para a Saúde? Banks: Na Índia e Nigéria temos visto agências governamentais e ONGs usar SMS como uma aplicação de educação para saúde. Há também grupos utilizando telefones móveis e suas redes para vigilância de doenças. O que há alguns anos levava três meses para reportar é agora quase instantâneo. Espalhar a notícia de erupções em áreas remotas salva vidas. Uma aplicação interessante na [área de] saúde é o SIMpill que ajuda pessoas com o problema de não concluindo o tratamento com antibióticos. Isso certamente só produz descendentes resistentes às drogas e mais difíceis de tratar. SIMPill é um frasco de comprimidos habilitado ao SMS que, quando aberto, envia uma mensagem para o servidor central. Cada SMS recebe uma etiqueta com a hora e mantém um registro do paciente tomando sua medicação. O médico é avisado através de uma mensagem de texto se o paciente não está tomando sua medicação adequadamente. Mongabay: De que outras formas o SMS e a telefonia móvel podem ser usados na conservação? Banks: Temos visto o SMS sendo usado na arrecadação de recursos e campanhas de conscientização e em aplicações mais específicas da conservação.
Em Sumatra, o pesquisador de tigres Debbie Martyr manteve um diário de campo que foi transmitido através de um site de internet móvel. Suas experiências incluem operações de vigilância ao vivo que usaram telefones com câmera para capturar caçadores e negociantes ilegais de pele em ação. Na Reserva de Vida Selvagem de Okapi na República Democrática do Congo, fones por satélite permitem que patrulhas enviem por mensagem de texto sua posição GPS junto com uma mensagem curta de qualquer lugar na reserva. O operador na base pode então chamar as equipes de patrulha em uma emergência, resultando em uma resposta mais rápida às ameaças para a Reserva. Mongabay: O que você pensa do projeto das equipes de conservação da Amazônia -- Amazon Conservation Team (ACT) que usam GPS e o Google Earth para mapear as terras indígenas e proteger a floresta contra invasões? Não é tecnologia móvel mas parece ter seus paralelos.
O que realmente gosto sobre o projeto ACT é que é orientado às necessidades, baseado naquilo que as pessoais locais precisam, não doações. Os usuários - neste caso as tribos amazônicas - vêem a relevância da tecnologia e desta forma a adotam, e a tecnologia se encaixa de forma transparente com aquilo que estão buscando atingir. Mais notável é que o programa também promove a preservação cultural em um meio onde a perda cultural é um problema sério. Você viu o anúncio dos recursos sobre Darfur adicionados ao Google Earth esta semana? O que estamos vendo é a criação de "comunidades conscientes" que desenvolvem um interesse e percepção nas histórias humanas por trás dos eventos. É uma grande maneira de construir suportes sólidos para um assunto. Penso que a ACT faria algo similar se as tribos quisessem postar algumas de suas lendas sagradas de forma que o público em geral teria uma melhor compreensão de sua história e cultura. Poderia servir como argumento comum para suas preocupações sobre o desenvolvimento da floresta. Talvez já estejam fazendo isso. Embora sempre hajam preocupações sobre se a tecnologia irá conduzir as pessoas para longe de seus estilos de vida tradicionais, em casos como este as tecnologias podem fornecer novas oportunidades enquanto que permite que as pessoas continuem a viver das formas tradicionais. Como Mark Plotkin tem dito na ACT, é o melhor de ambos os mundos. Mongabay: O que você pensa da iniciativa "One Laptop Per Child" (Um laptop por criança - OLPC) que fornece laptops duráveis de baixo custo (US$ 100) para crianças de países em desenvolvimento?
Mas, para ser honesto, OLPC pode bem ser uma revolução - eu não estou tentando censurar o projeto. Você tem que dar crédito aos desenvolvedores por terem saído e tentado algo ousado para o benefício da humanidade. Interessantemente, a Índia na prática rejeitou o projeto. Ao invés disso, está avaliando tecnologias desenvolvidas lá mesmo (chamadas NetTV e NETPC), o que pede a questão de se um único produto pode realmente funcionar em uma escala global nos mercados emergentes. O mundo não é homogêneo e a tecnologia definitivamente precisa ser testada na prática. Frequentemente vejo uma disconexão entre os desenvolvedores de tecnologia e o uso no "mundo real" de seus produtos. Em uma conferência que participei recentemente na Índia para o W3C, havia muito pouca ênfase no usuário - era tudo sobre a tecnologia. Há uma grande diferença entre como uma coisa é usada no saguão de um aeroporto e como bem poderá funcionar em uma aldeia remota com alimentação elétrica limitada, calor, tempestades de areia e um usuário semi-analfabeto. Para muitos desenvolvedores, como sua tecnologia irá funcionar no contexto de mercados emergentes é geralmente um pensamento "para depois". Nos lugares onde trabalho esta é a primeira questão que sou inclinado a fazer. Ken Banks é atualmente Professor Convidado no Reuters Digital Vision Program da Universidade de Stanford. Liquid error: Template not found languages/portugues/includes/news/_adsense200links.liquid Comentários Opções de notícias |
![]() |
MONGABAY.COM Mongabay.com promove a apreciação da natureza e dos animais selvagens, quando também examinar o impacto de emergir tender no clima, na tecnologia, na economia, e nas finanças no conservation e no desenvolvimento. Estamos preparando o lançamen to do site Mongabay em Português. Quer ajudar? Que bom! Se você fala Inglês entre em contato com o Rhett. Precisamos de mais voluntários para fazer traduções de conteúdo. E se você não fala Inglês volte sempre e divulgue o novo site para os seus amigos! Recomendado Amazonia.org O Eco A Última Arca de Noé |
|
©2007 Rhett Butler |